Prometida como solução de poupança para a aposentadoria, a Riester-Rente conquistou 16 milhões de alemães. Um deles é o repórter que, depois de 15 anos, decidiu pôr fim ao contrato e calcular o prejuízo.
O resultado surpreendeu: dos 9.000 € aplicados, além de 1.600 € de incentivos do governo, apenas 6.149 € voltaram para a conta. O restante evaporou entre taxas de abertura, administração e comissões.
O início do contrato: setembro de 2011
Tudo começou em setembro de 2011, quando uma corretora de seguros apresentou o plano como “a maneira mais eficaz” de poupar para a velhice. Na época, o repórter aceitou contribuir com cerca de 70 € por mês e contava com a então bonificação estadual de 150 € anuais.
A promessa era de rendimentos robustos no futuro. Contudo, já nos primeiros anos havia custos fixos: 106 € de taxa de comercialização e quase 70 € de administração a cada doze meses.
Quando a desconfiança deveria ter surgido
Comissões altas a agentes costumam sinalizar que o verdadeiro lucro pode não estar do lado do cliente. Mesmo assim, a ilusão de tranquilidade na aposentadoria falou mais alto.
Sete anos depois: novo consultor, novo erro
Em 2018, um segundo consultor — autointitulado “Senior Sales Manager” — entrou em cena. Ele recomendou migrar o produto para outra seguradora, elevando o aporte mensal para 85 €.
A mudança, vendida como vantajosa, fez as despesas anuais ultrapassarem 300 €. Somando custos e os 175 € de bonificação reajustada, o valor estatal não cobria nem metade das cobranças.
Taxas que engolem o benefício público
Os dados mostram que a subvenção federal virou, na prática, subsídio para as seguradoras. O próprio Mania de Celular já alertou leitores sobre contratos cheios de pegadinhas que corroem o retorno real, mesmo fora do segmento de smartphones.
Contrato congelado em fevereiro de 2022
Em busca de fôlego no orçamento, o jornalista suspendeu os aportes em 2022. Imaginava que, sem novas contribuições, o saldo ficaria intacto.
Foi outro engano. As mesmas despesas continuaram correndo, como um estacionamento que cobra mesmo com o carro parado. Durante cinco anos, o titular pagou indiretamente para manter um plano que nem mais recebia a ajuda governamental.
Kündigung: rescisão em abril de 2026
Quando finalmente pediu o cancelamento, chegaram os números detalhados. Na troca de 2018, a primeira seguradora reteve mais de 1.000 € em “custos de saída”.
Imagem: Divulgação
A segunda empresa listou 8.623 € como “contribuições de previdência” — valor difícil de rastrear, segundo o próprio segurado. No fim, transferiu exatamente 6.149 € para a conta corrente.
O balanço exato da perda
Somando tudo, cerca de 2.400 € desapareceram em tarifas diversas. Ou seja, guardar a quantia em casa teria resultado em saldo maior.
Reforma aprovada: adeus Riester, olá novo depósito
O Bundestag reconheceu os problemas e aprovou, em 27 de março de 2026, a criação de um “Altersvorsorgedepot”. A partir de 2027, ele deve substituir o modelo atual.
Pela nova regra, o incentivo será proporcional: 50 ¢ para cada 1 € poupado até 360 € anuais, e 25 ¢ sobre cada euro entre 360 € e 1.800 €. O teto de subsídio sobe para 540 € por ano.
Bônus para jovens e famílias
Contratos firmados antes dos 25 anos garantem 200 € extras de largada. Já a bonificação infantil, de 300 € anuais por filho, exigirá apenas 25 € mensais de aporte.
Vale ou não cancelar agora?
Especialistas lembram: quem encerra o contrato hoje perde todas as bonificações acumuladas. A recomendação comum é torná-lo apenas “sem contribuição” e aguardar a transferência para o novo depósito.
A experiência relatada mostra, contudo, que cada passo — inclusive pausa ou troca de seguradora — pode significar mais tarifas. Avaliar planilhas e questionar valores continuam sendo as melhores defesas contra perdas invisíveis.
Para o jornalista, a lição ficou clara: entender a estrutura de custos deveria ter vindo antes da assinatura. Caso contrário, a conta chega, e bem salgada.
